Ao contrário do que o kiko pensa, às vezes, eu concordo com as pessoas. Na verdade, eu concordo muito mais do que pareço concordar e discordo muito menos do que deveria. Eu nunca esqueço de um duelo verbal traçado entre eu e um colega da escola, quando eu ainda fazia o ensino médio. Eu detestava ele, porque ele se sentia muito inteligente, na verdade cada um de nós carregava consigo um ego avassalador. Era difícil pra nós concordamos um com o outro, porque dessa forma admitiríamos que éramos um tão inteligente quanto o outro.
O fato é que um dia ele disse que achava que as nossas roupas mais bonitas eram as que nós usávamos menos, porque tínhamos medo de gastá-las. Dentro de mim, eu super concordei e até lembrei de algumas peças de roupas que eu adorava, mas que só usava em situações que eu achava muito especial, exatamente por medo que elas envelhecessem rápido. Porém, eu disse que achava tudo aquilo uma bobagem e que eu não pensava daquela maneira. Naquele momento, estava em jogo só a vontade de não admitir que ele tinha razão. Eu nunca esqueci isso. E até hoje, eu e ele não nos entendemos muito bem. É engraçado, mas essa relação discordante que eu tinha com esse colega é a mesma que eu tenho hoje com uma outra pessoa.
Por outro lado, há situações em que eu concordo sempre, pra evitar o climão. Eu sempre concordo com alguns hábitos da minha casa. Na verdade, eu não concordo, mas eu finjo bem. Não acho justo nem expressar minhas idéias em alguns momentos. Por exemplo, acho um saco ter que não comer carne na semana santa. E odeio a idéia de ver um peixe em cima da mesa na hora do almoço (arg!). Mas não costumo questionar isso pra não me opor as crenças religiosas - diferentes das minhas - da minha mãe e da minha tia. Neste caso, eu guardo pra mim as minhas discordâncias e nem me atrevo a apresentá-las.
Até pouco tempo, eu não concordava ter que dividir espaço com uma determinada pessoa de quem eu não gostava, na verdade, de quem eu tinha verdadeiro repúdio, mas eu fingia não me importar pra não criar climão. Sorte minha isso não é mais necessário agora. E, assim, eu vou vivendo. Às vezes, eu concordo por educação e, outras vezes, eu discordo por conveniência. Faço o que posso.





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